Esta é uma brincadeira coletiva que desenvolve a audição, a concentração, a oralidade e a memória é principalmente a criatividade. Brougère, (1995 p. 61) traz que
Os brinquedos orientam as brincadeiras, trazem-lhe matéria. Algumas pessoas são tentadas a dizer que eles a consideram, mas, então, toda a brincadeira está condicionada pelo meio ambiente. Só se pode brincar com o que se tem, e a criatividade, tal como evocamos, permite, justamente, ultrapassar esse ambiente, sempre particular e limitado. O educador pode, portanto, construir um ambiente que estimule a brincadeira em função dos resultados desejados. Não se certeza de que a criança vá agir, com esse material, como desejaríamos, mas aumentamos, assim, as chances de que elas o façam, um universo sem certezas, só podemos trabalhar com probabilidades.
Percebemos com esta brincadeira que os participantes precisam saber ouvir para que possam repetir exatamente o que foi dito pelo outro, para tanto, deve-se utilizar da concentração, memória, oralidade e audição – como já explicitado anteriormente. Desta forma, observamos que os participantes mesmo tendo um nível de compreensão semelhante ao que havia sido dito recriaram suas respostas e a prova disso é que a primeira resposta se modificou da última em todas às vezes, mesmo quando eram utilizadas frases conhecidas de trava-língua.
O resultado foi que as respostas finais eram diferentes em relação às frases propostas originalmente. Assim, colocamos a imaginação em movimento, já que o ser humano é um ser criativo. Acreditamos que as respostas foram modificadas porque não apresentavam significado ou relação com os conhecimentos prévios de quem ouvia.
Com esta brincadeira podemos trabalhar com as crianças a importância de transmitir informações de forma verdadeira. Concluindo, que embora seja uma brincadeira, extraímos lições preciosas, tais como: a importância de transmitir o que ouvimos de alguém corretamente, pois perdemos nosso tempo com fofocas desnecessárias, que não acrescentam nada; pelo contrário, só diminuem nosso valor moral.
Referência Bibliográfica:
BROUGÈRE, Gilles. Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez, 1995.
Para desenvolver essa brincadeira serão necessárias, pelo menos, cinco pessoas, porém, quanto mais pessoas mais engraçado a brincadeira fica. Sentados em linha reta ou em círculo, a primeira pessoa inventa secretamente uma palavra e fala, sem que ninguém mais ouça o que ela está falando, nos ouvidos do próximo (à direita ou à esquerda). Assim, o próximo fala para o próximo e assim por diante até chegar ao último. Quando a corrente chegar ao último esse deve falar o que ouviu em voz alta. Geralmente o resultado é desastroso e engraçado, a palavra se deforma ao passar de pessoa para pessoa e geralmente chega totalmente diferente no destino.
Variações: O cúmulo pode ser dividido em duas equipes, e competir para ver qual grupo chega ao final com a palavra mais fiel a original.
Justificativa:
“O brincar com a criança não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los enfileirados em salas sem ar, com atividades estéreis sem importância alguma para a formação humana.” DRUMMOND (quem é)
Com o objetivo de desenvolver uma brincadeira que utilize poucos materiais e que possa ser proposta em diferentes espaços e situações, escolhemos a brincadeira “Telefone sem fio” que, mesmo sendo bem conhecida e bastante utilizada, ainda conquista e envolve as crianças.
De acordo com o RCNEI:
As brincadeiras de faz-de-conta, os jogos de construção e aqueles que possuem regras, como os jogos de sociedade (também chamados de jogos de tabuleiro), jogos tradicionais, didáticos, corporais etc., propiciam a ampliação dos conhecimentos infantis por meio da atividade lúdica.
Dessa forma podemos dizer que a brincadeira tem relação direta com a aprendizagem, ou seja, é através dos jogos e brincadeiras que a criança desenvolve o seu raciocínio e conduz o seu conhecimento de forma descontraída e espontânea, a brincadeira deixa de ser considerada apenas como uma forma de divertimento, e torna-se um dos meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual infantil.
Dias (2002), em sua análise sobre a importância dos jogos na alfabetização, constatou que: é por meio dos jogos e da conseqüente apropriação e interpretação dos materiais lingüísticos disponíveis que a criança vai tecendo a compreensão do seu mundo para, gradualmente ampliar essa compreensão para um amplo leque social.
Já Cagliari (1999, p.85) afirma que “quando vão aprender a ler e escrever as crianças tem como única referência de conhecimento já adquirido, a própria fala”, ou seja, esse conhecimento prévio contribui no aprendizado da língua e escrita.
Consideramos necessário salientar que segundo Lino de Macedo apud Bertoldi (2003), “as aquisições relativas a novos conhecimentos e conteúdos escolares não estão nos jogos em si, mas dependem das intervenções realizadas pelo professor que conduz e coordena as atividades”.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil / Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. — Brasília: MEC/SEF, 1998.
BERTOLDI, M. A escolha dos jogos definida pelas dificuldades específicas de cada criança. Curitiba: 2003.
CAGLIARI, L.C. Alfabetização sem o Ba-Be-Bi-Bo-Bu. São Paulo: Scipione: 1999.
DIAS, C. M. A importância dos jogos na alfabetização. USP/PEC - Trabalho de conclusão de curso, Suzano: 2002.
FRANÇA, G. W. Tia me deixa brincar: o espaço do jogo na educação pré-escolar. 1990 Dissertação (mestrado em pedagogia) – Setor de Educação da Unoversidade, São Paulo, SP: mimeo 1990.
FREITAS, Maria Teresa de A. Vygotsky e Bakhtin Psicologia e Educação: um intertexto. SãoPaulo: Ática, 1996.
GALUCH, Maria Terezinha Bellanda. O Brinquedo e a Formação do Pensamento. Criança, Brasília, DF, 26, p. 6-8, 1998.
KISHIMOTO, T. M. Jogo, brinquedo, brincadeira e educação. São Paulo: Cortez, 1997.
A proposta da dupla foi bastante interessante por integrar a brincadeira e a narração de uma história. O aspecto de inserir um contexto partindo do imaginário contribui para uma inserção significativa dos participantes ao jogo. Acreditamos que a vivência da história contada deve estar presente em todo o desenvolvimento da brincadeira, ou seja, a história pode servir de pano de fundo para a contextualização da proposta e das regras, estando presente na descoberta dos personagens da brincadeira e também no desfecho da história, proporcionando um final criativo que envolva tudo que foi construído até ali. Valorizamos também a iniciativa em trabalhar a partir dos conhecimentos prévios dos participantes. Afinal, se não houver o conhecimento dos elementos que serão desvendados, sejam eles animais ou personagens de filmes e desenhos, não haverá a possibilidade de identificação e conseqüente descoberta dos papéis assumidos. E o conhecimento prévio das características é um fator fundamental não só para quem deve desvendar sua identidade, mas também para os outros participantes que devem dar as respostas corretamente. Nesse sentido, afirmamos a necessidade de trabalhar essas características anteriormente, pois conforme afirma Brougere (1995, p.98) “A brincadeira pressupõe uma aprendizagem social”. Sendo assim, considerando que a brincadeira está sempre relacionada à cultura do meio em que a criança está inserida, é preciso que o repertório cultural dela seja ampliado para que suas experiências lúdicas possam ser diversificadas. Enfim, essa brincadeira estimula a cooperação, pois todos devem se ajudar no sentido de garantir a continuidade da história. Além disso, foi uma experiência muito divertida por possibilitar, mesmo que por poucos instantes, a vivência de uma situação mágica.
Referência BROUGÈRE, Gilles. Brinquedo e cultura. São Paulo, Cortez, 1995.
Juliane Mendes Rosa La Banca Raquel de Melo Giacomini
Objetivo do Jogo:Cantando a música "Escravos de Jó", todo o grupo tem que deslocar-se dentro do círculo feito de bambolê/barbantes/giz respeitando o ritmo de cada aluno e conforme o ritmo da música.
Descrição:Cada aluno fica dentro de um bambolê/barbante/giz. Acompanhando e cantando a música "Escravos de Jó" os alunos vão se deslocando para o bambolê da sua direita ou esquerda (variando) conforme as orientações da música:
ESCRAVOS DE JÓ JOGAVAM CAXANGÁ= andando pelos bamboles TIRA,sai do bambolePÕE, entra no bambolêDEIXA FICAR pausa dentro do bambolê GUERREIROS COM GUERREIROSandando pelos bambolês FAZEM ZIGUE,ZIGUE,ZÁum pé no seu bambolê e outro no na direita fazendo zigue zá Variações da brincadeira: Quando os alunos após algumas rodadas já estiverem em sincronia, propor que formem duplas diminuindo os círculos e continua com a mesma orientação anterior.
Quanto a música temos várias versões:
1° VERSÃO ESCRAVOS DE JÓ JOGAVAM CAXANGÁ TIRA,PÕE, DEIXA ZÉ PEREIRA FICAR GUERREIROS COM GUERREIROS FAZEM ZIGUE,ZIGUE,ZÁ
2° VERSÃO ESCRAVOS DE JÓ JOGAVAM CAXANGÁ TIRA,PÕE, DEIXA,FICAR GUERREIROS COM GUERREIROS FAZEM ZIGUE,ZIGUE,ZÁ
3° VERSÃO AMIGOS DE JÓ JOGAVAM CAXANGÁ TIRA,PÕE, DEIXA FICAR GUERREIROS COM GUERREIROS FAZEM ZIGUE,ZIGUE,ZÁ
Formas Lúdicas da Arte
A música, a dança e as artes plásticas são todas consideradas formas de arte segundo Huizinga. Porém o lúdico não está presente da mesma forma em todas as expressões da arte. Na música os elementos lúdicos são mais facilmente vistos. Tanto o jogo quanto a música situam-se “fora da sensatez da vida prática, nada tem a ver com a necessidade ou utilidade, com o dever ou com a verdade”. A música assim como o jogo não podem ser compreendidos por idéias lógicas, pois transcendem as idéias sobre o visível e o tangível”. Portanto, os valores musicais só podem ser compreendidos através do ritmo e harmonia, ou seja, de seu caráter estético, que se aplica igualmente ao jogo, a poesia, a música e a dança, e segundo o autor Huizinga é invarialmente acompanhada de prazer. Em épocas culturalmente mais primitivas a música possuía uma função religiosa e era louvada, sobretudo como um passatempo edificante ou um divertimento agradável. Só bem tardiamente passou a ser apreciada e abertamente reconhecida como algo extremamente pessoal, fonte de algumas experiências emocionais humanas mais profundas que mostram sentimentos, nos faz ter lembranças de pessoas, lugares, momentos , etc. Além disso, a criatividade e a imaginação são parte do caráter lúdico do jogo e da arte.
Referência: HUIZINGA, Johan. Formas lúdicas da arte. In: HUIZINGA, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. São Paulo: Perspectiva, 1990. p. 176-193.
Francieli Alves da Silva Juliana Eleutério Ribeiro
RELEITURA DA BRINCADEIRA “QUEM SOU EU”
Brincadeira “QUEM SOU EU”
Cada participante recebe o nome de um animal, que pode ser uma figura colada em suas costas ou o nome do animal colado em sua testa, e precisa descobrir quem é. Na brincadeira “Quem sou eu” o participante precisa fazer perguntas para o grupo sobre quem ele é de forma que a resposta seja sim ou não até conseguir descobrir quem é.
A brincadeira termina quando todos descobrirem quem são.
Encontramos algumas variações da brincadeira que ao invés de usar animais foi usado personagens de filmes infantis ou da literatura infantil. Umas delas os componentes recebiam o nome de um personagem de filme da Disney em que precisava saber quem eram e achar seu par.
Releitura da Brincadeira “QUEM SOU EU”
A brincadeira se inicia com uma roda e logo em seguida com a contação de uma história criada por nós chamada “Quando a Natureza Quase Morreu”. Na história os animais foram enfeitiçados e esqueceram quem são, exceto as árvores que eram protegidas desde nascença.
Durante a contação da história cada participante receberá seu personagem, uma fita verde para as árvores e um papel que será colado na testa com o nome dos animais, para fazerem parte da história.
Após a história, em sentido horário, cada animal fará uma pergunta para as árvores sobre sua identidade com o intuito de saber quem são. Da mesma forma que a brincadeira original as perguntas deverão ter como resposta “sim” ou “não”, exemplo: Eu como capim? Eu sou pequeno? Eu vivo na água?
A brincadeira termina quando todos descobrirem quem são e segundo a história essa é a única forma de se salvar a natureza.
HISTÓRIA: “Quando a Natureza Quase Morreu”
Era uma vez, em um reino muito distante, uma floresta encantada. Lá, os animais e plantas viviam em constante harmonia junto à mãe natureza e todos eram felizes.
Até que um dia, uma bruxa foi expulsa do reino e condenada a permanecer somente na floresta, devido a todas as suas maldades e bruxarias. Para se vingar do reino, a bruxa má resolveu enfeitiçar toda a floresta.
Felizmente, a bruxa não conseguiu enfeitiçar as árvores, pois elas eram protegidas desde nascença pela mãe natureza. Mas, os animais não tiveram a mesma sorte.
Por causa do feitiço da bruxa, todos os animais esqueceram quem eles eram e por conseqüência quais eram suas funções na natureza, desequilibrando toda a floresta encantada.
Agora, para que a floresta volte a ser encantada, os animais precisam da ajuda das árvores para que eles consigam lembrar qual o seu lugar na natureza.
QUER SABER O FINAL DA HISTÓRIA?
CONFIRA O VÍDEO ABAIXO!
JUSTIFICATIVA TEÓRICA
Escolhemos uma brincadeira já existente e fizemos uma releitura dela, pois queríamos fazer parte do processo de construção de uma atividade lúdica e não apenas ter autoria na justificativa da brincadeira.
Quando pensamos na brincadeira “QUEM SOU EU” tivemos a idéia de associá-la a uma história, pois a utilização de um gênero narrativo preenche as condições para nossa atividade lúdica, sendo um jogo para as crianças, em que elas se transportam para história e brincam com os personagens, um jogo de faz-de-conta.
Todos os desejos que a criança não consegue suprir de imediato busca por meio da imaginação e da brincadeira. Essas condições prazerosas são proporcionadas pelas leituras, principalmente quando o leitor aceita o jogo sugerido no texto, Amarilha (1997, p.84) explica que “nesse processo, a função do leitor está dada, mas ele terá que exercê-la sob varias formas; uma delas é vestir mascaras do texto, conforme a identificação e catarse que experimente.”
As crianças brincam porque gostam de brincar e gostam de brincar porque a brincadeira é o melhor instrumento para a satisfação das necessidades que vão surgindo do convívio com o mundo objeto, que tenta conhecer e com o mundo social com a qual se relaciona e, enquanto brinca, o conhecimento desse mundo se amplia. A brincadeira “QUEM SOU EU” proporciona a criança à liberdade de brincar com seus personagens, imaginar e criar situações propícias para serem conduzidas no jogo.
Pensamos em uma brincadeira que permite o adulto que convive com elas brincarem, se transformando em parceiros de seus jogos e brincadeiras, dando oportunidade de conhecerem as crianças e seus gostos, pois muitas vezes não se dão conta da importância de cada gesto, de cada palavra, de cada movimento.
Para criança qualquer objeto pode virar um brinquedo, criando e recriando a brincadeira de acordo com as suas necessidades e expectativas, transformando o real em imaginário. É também pelo ato de imaginar que a criança dá vida a brincadeira, pois para a criança o brincar é algo espontâneo e que não haveria como entender sua vida sem o brinquedo. Para Kishimoto (1999):
Admiti-se que o brinquedo represente certas realidades. Uma representação é algo presente no lugar de algo. Representar é corresponder a alguma coisa e permitir sua evocação, mesmo em sua ausência. O brinquedo coloca a criança na presença de reproduções: tudo o que existe no cotidiano, a natureza e as construções humanas. Pode-se dizer que um dos objetivos do brinquedo é dar à criança um substituto dos objetos reais, para que possa manipulá-los (KISHIMOTO, 1999, p.18).
Toda nossa reflexão sobre a brincadeira e o ato de brincar ajudou-nos compreender a criança como sujeito concreto e constituído de múltiplas dimensões, que se desenvolve a partir de elementos provindos de suas relações com os meios naturais e sociais – e com outros- e ressignifica e cria a partir de tais elementos, por ter capacidades cognitivas, criativas, expressivas, dentre outras.
A infância é caracterizada pela época em que as crianças estão conhecendo o mundo e experimentando-o na formação de sua identidade social e sua personalidade. As crianças necessitam de artefatos culturais que as mobilizem nesse processo, a brincadeira torna-se parte dessa construção. Brougère (1998) diz:
O brincar é uma dinâmica essencial do ser humano. (...) Cada cultura, em função de analogias que estabelece, vai construir uma esfera delimitada (de maneira mais vaga que precisa) aquilo que numa determinada cultura é designável como jogo. Na realidade, há jogo quando a criança dispõe de significações, de esquemas em estruturas que ela constrói no contexto de interações sociais que lhe dão acesso a eles. Assim ela co-produz sua cultura lúdica, diversificada conforme os indivíduos, o sexo, a idade, o meio social.
Nesse sentido, a Educação Infantil não deve se tratar de ensino e é fundamental que seus profissionais tenham um repertório alargado de brincadeiras e jogos, podendo responder às necessidades das crianças, em sua constituição como seres humanos seus contextos – diversos e particulares de sua cultura, privilegiando suas capacidades em suas diversas linguagens.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
AMARILHA, Marly. A criança e a ficção. In: Estão mortas as fadas? Literatura Infantil e prática pedagogica. Petropolis, RJ: Vozes, 1997 – Natal: EDUFRN. p. 83—93.
BROUGÈRE, Gilles. A criança e a cultura lúdica. Revista da Faculdade de Educação, vol.24 n.2 São Paulo July/Dec. 1998.
KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 3.ed. São Paulo: Cortez, 1999.