"Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino" (Paulo Freire).
RSS

Jogo, Interação e Linguagem

Mostrando postagens com marcador 08. Gato e Rato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 08. Gato e Rato. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Crítica: O gato e o Rato

Após a realização da brincadeira O gato e o Rato proposta pelas alunas Jéssica e Camille, percebemos que toda a turma participou da atividade, demonstrando alegria e envolvimento durante o desenvolvimento da mesma.
Consideramos a brincadeira muito prazerosa e contagiante, visto que além de oportunizar a participação de todos os alunos ao mesmo tempo, estimula também o desenvolvimento da motricidade ampla, a agilidade, atenção, concentração e observação de todos os participantes.
Analisando a brincadeira a partir da sua realização junto às crianças, consideramos que antes de propor tal atividade, deve-se conhecer qual é o conhecimento que as mesmas possuem sobre as horas e, através de tal levantamento trabalhar esse conteúdo, visto que quando as crianças são muito pequenas acabam desconhecendo que o nosso dia possui 24 horas. No caso das crianças menores, sugerimos que se faça ao invés de horas, locais onde possa estar o rato, exemplo: o rato foi no parque? Está na sala? Trabalhando, dessa forma, com locais que as crianças já conheçam e, quando o gato acertar, pega o rato assim como na brincadeira tradicional.
Sabendo que algumas crianças são mais ágeis do que outras, achamos relevante também que durante a realização da brincadeira ocorram variações para que as crianças não fiquem irritadas e/ou frustradas pelo fato de não conseguirem pegar o colega, pois dessa forma todos poderão participar desse momento com alegria, empolgação e satisfação, comprometendo-se para atingir o objetivo da brincadeira: o gato pegar o rato.
Gostamos muito da brincadeira e acreditamos que a mesma é uma excelente proposta de atividade para realizar-se junto às crianças, mexendo não somente com o movimento destas, mas também com a sua imaginação para incorporar os papéis sugeridos pela brincadeira.


Alunas: Dayana de Souza e Jacqueline R. Rodrigues

Brincadeira Gato e Rato

O rato ta em casa?

- Não.
- A que horas ele chega?
- As mesmas de ontem.
- Que horas são?
- Hora da onça beber água.
- Que horas são?
- Hora em que a porca torce o rabo.
- Que horas são?
- Hora da panela queimar o rabo.
- Que horas são?
- Hora da cobra fumar;
Uns pra cá, outros pra lá.
Quem é que o rato vai pegar?


Eloí Elisabete Bocheco


Dupla: Camille Escorsim e Jéssica Abreu

Formação incial: Ficar em círculo, de mãos dadas. Fora do círculo fica uma criança, que será o Gato, e dentro fica outra, que será o Ratinho.

Desenvolvimento: As crianças da roda vão girando, enquanto a criança que representa o Gato inicia o diálogo:

- “Seu Ratinho está em casa?”
- “Não, sennhor.”
- “A que horas voltará?”
- “Às doze horas.”
- “Que horas são?”
- “Uma hora.”
- “Que horas são?”
- “Duas horas.”

E assim sucessivamente até chegar a hora que as crianças determinaram para volta do “Rato”. A roda para de girar e o “Gato” pergunta às crianças do círculo:

- “Seu ratinho já chegou?”
- “Sim senhor.”
- “Dá licença para entrar?”
- “Sim senhor.”

O “Gato” começa a perseguir o “Rato”, tentando pegá-lo. O jogo recomeça após terem sido escolhidas duas crianças paras serem o “Gato” e o “Rato”.

Fonte: “Atividades Lúdicas na Educação da Criança”. Leonor Rizzi e Regina Célia Haydt (p.62, 1987)

VARIAÇÕES

Uma das variações que encontramos, há o personagem do "relógio" e "porta". A criança correspondente ao relógio escolhe uma hora, que é revelada por ela. A porta é a criança por onde o gato poderá entrar na roda para caçar o rato:

Fonte: http://aprenderabrincarfeliz.blogspot.com/2007/10/o-gato-e-rato.html acesso em 10/05/2010 Às 10:30

Outra variedade da brincadeira propõe que as crianças da roda se movimentem a fim de atrapalhar o gato, impedindo que ele entre ou saia da roda:
Fonte: http://www.bernerartes.com.br/ideiasedicas/jogos/gatoerato.htm

Observação: Nesta última, nosso grupo criou "os amigos do gato". Assim, três pessoas eram escolhidas para ajudar o gato a entrar e sair da roda, facilitando sua caçada.

Justificativa teórica:

Sobre a brincadeira na educação infantil, Kishimoto (1996, p. 24) afirma que
[…] O que importa é o processo em si de brincar que a criança se impõe. Quando ela brinca, não está preocupada em com a aquisição de conhecimento ou desenvolvimento de qualquer habilidade mental ou física. […]


Porém, de certa maneira, o jogo sempre é uma atividade que proporciona desenvolvimento e aprendizagem, assim, de acordo com Kishimoto o jogo/brincadeira, proporciona o desenvolvimento de aspectos afetivos, cognitivos, físicos e sociais, contemplando várias formas de representação da crianças, valorizando também suas múltiplas linguagens.

O contraponto a esta afirmação é que nunca se tem a certeza de que os objetivos esperados pelo professor, serão os mesmos alcançados pelas crianças, de maneira que o trabalho pedagógico exige outras estratégias, que não apenas os jogos e brincadeiras para construção de conhecimento.

É preciso valorizar a brincadeira por si só, não apenas como uma atividade com fins e objetivos pedagógicos, mas como um atividade que possui um fim em si mesma, que potencializa o desenvolvimento da criança naturalmente, podendo ser utilizada para aprendizagem, mas não se restringindo a este fim, ou de maneira compensatória.

Sobre a brincadeira escolhida, “Gato e Rato”, analisamos a perseguição do gato pelo rato, como a manifestação, de certa forma, de uma violência, a presença do instinto de caça de um animal, neste caso, o predador, o gato, e a fuga da presa, o rato. Podemos afirmar que esta brincadeira possibilita
“[...] passar, simbolicanente, pela experiência da violência sem sofrer suas consequências. Eis aí todo o interesse da experiência da brincadeira. Onde há violência real (e não simples agressividade) não existe mais brincadeira. As crianças sabem distinguir, perfeitamente, a verdadeira briga da brincadeira.” (BROUGÈRE, 1995, p. 80)


Assim, através desta brincadeira, além da representação de uma situação de violência, a criança ainda lida com o medo, a perseguição, o monstruoso, com uma situação imaginária assumindo os papéis de Gato e Rato, manipulando valores como bem e mal, interage com seus pares, de maneira a ajudá-los ou prejudicá-los.

Referências Bibliográficas

BROUGÈRE, Gilles. Brinquedo e Cultura. São Paulo, Cortez, 2000.

KISHIMOTO, Tizuco. O Jogo e a Educação Infantil. In: KISHIMOTO, T. Jogo, brinquedo, brincadeira e educação. 1996.

RIZZI, Leonor; HAYDT, Regina Célia. Atividades Lúdicas na Educação da Criança. 1987.

BOCHECO, Eloí Elisabete. Batata cozida, mingau de cará. 2006.