"Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino" (Paulo Freire).
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Jogo, Interação e Linguagem

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Reflexão do Jogo a Explosão

Pensamos que a actividade sugerida pelas colegas é bastante prática e fácil de executar num contexto educativo. É um jogo que pode ser realizado em espaço aberto, nomeadamente no recreio, mas que é também perfeito para os dias de chuva nos quais as crianças ficam mais aborrecidas devido ao mau tempo. Neste jogo as crianças circulam num espaço pré-definido e tentam rebentar o balão dos adversários, tendo sempre o cuidado de proteger o seu. Visto que a actividade proposta é para crianças com cerca de 5 anos, achamos que estas já possuem uma noção acerca do seu corpo e do seu espaço que é potenciada ao tentar proteger o seu balão. Podemos assim afirmar que a criança desenvolve estratégias, estimula as habilidades cognitivas, corporais e sociais. Ao ser um jogo colectivo observa-se uma analogia com as relações estabelecidas dentro da sociedade exaltando o carácter social do jogo. Como jogo que é, tem um efeito positivo uma vez que é uma actividade prazerosa, o que fica facilmente demonstrado através do riso, e que produz efeitos positivos a nível corporal, moral e social. Outra questão pertinente é a da flexibilidade uma vez que fica demonstrado a importância da brincadeira para a exploração, o que leva a criança a tornar-se fléxivel a procurar alternativas de acção. Deste modo, cada vez que a criança fica sem balão e sai do jogo pensa em novas estratégias de o proteger quando voltar a entrar em jogo.

Sugeríamos, de forma a manter as crianças ocupadas quando lhes-é rebentado o balão e têm que sair da brincadeira, a formação de novos grupos nos quais seriam realizados outros jogos usando na mesma balões pois é um objecto que elas adoram. Assim, podiam ter que dançar a pares sem deixarem cair o balão no chão ou ter que manter o balão no ar.


Sandra Bernardo
Jussara Araújo

KISHIMOTO, T. (1999). Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação. São Paulo Cortez Editora.

domingo, 4 de abril de 2010

ESTOURAR BALÕES OU EXPLOSÃO

ALUNAS: Dayana de Souza e Jacqueline R. Rodriguês



O que será desenvolvido: através da brincadeira a turma desenvolve a agilidade, atenção, coordenação motora ampla e o espírito de equipe.

Idade: a partir de 5 anos.

Local: sala de aula, quadra ou pátio.

Materiais necessários: balões e barbante.

Participantes: todos os participantes da turma divididos em duas equipes (pode-se dividir em mais equipes).

Como brincar: A turma será dividida em duas equipes, sendo que cada uma delas terá uma cor representativa. Cada integrante receberá um balão (cor da equipe) que, depois de estar cheio de ar, será amarrado com barbante em um dos seus tornozelos. O objetivo da brincadeira é que cada integrante proteja o seu balão e, ao mesmo tempo, tente estourar os balões da equipe adversária. Nesse sentido, a equipe vencedora será aquela que conseguir estourar todos os balões adversários e permanecer com apenas um balão cheio.

Observação importante: Quando restarem poucos participantes com os balões ainda cheios, aqueles integrantes que já tiverem com seus balões estourados podem dar as mãos e fazerem um círculo para que os integrantes em ação tenham um espaço ainda mais limitado para estourarem os seus balões. Dessa forma a brincadeira torna-se menos cansativa e evita que os participantes fiquem cansados e/ou irritados com a demora pelo término da brincadeira.

Variação: Essa brincadeira também pode ser realizada em diferentes equipes, porém com as crianças em duplas (de mãos dadas), pois dessa forma uma criança poderá ajudar a outra a estourar e/ou defender seu balão, intensificando ainda mais a importância do espírito de equipe.



JUSTIFICATIVA TEÓRICA:


Já é sabido que, desde a mais tenra idade, as brincadeiras fazem parte da vida das crianças, tornando-se fundamental para a formação das mesmas, visto que o ato de brincar é um meio pelo qual a criança aprende a se relacionar, desenvolver suas potencialidades, sua criatividade, sua representação de mundo, seus sentimentos, sua identidade, sua personalidade e sua linguagem. Sendo assim, na brincadeira a criança não elabora apenas o seu conhecimento de mundo, mas elabora também o seu autoconhecimento, tornando-se um sujeito crítico, autônomo e ativo.

Buscando compreender a brincadeira como uma atividade rica em aprendizagem, citamos Fantin (2000, p. 83) que defende a idéia de que:

Brincar é uma aprendizagem, uma aprendizagem que se baseia na imaginação e a enriquece. A criança tem o potencial imaginativo e aprende a brincar brincando, e esse brincar é aprendido por meio de vários fatores: através de relações interpessoais que dependem basicamente de afeto e emoção, através da linguagem e através do uso de objetos mediadores.


O ato de brincar proporciona momentos que fazem com que a criança comece a construir a representação da sua realidade, evidenciando aspectos culturais dos quais faz parte, sendo assim, a brincadeira é uma atividade social que contribui para a construção do sujeito-criança que faz parte da história e que contribui para o desenvolvimento desta.

Referente à importância da aquisição da cultura e compreensão do meio em que vive, citamos Goulart (2002, p. 61). Para esta autora:

A participação das crianças no mundo de cultura vai requerer a habilidade de compreensão de todo o simbolismo inerente a ele. Através de um processo de interação com o mundo adulto, o grupo de crianças constrói diferentes linguagens, que dão acesso a diversos significados. Essas linguagens constituem-se como instrumentos culturais de apreensão do mundo, de maneira a dar forma às diversas aprendizagens infantis.


Durante as brincadeiras, a criança cria um mundo de fantasias capaz de satisfazer seus desejos, enfrentar seus medos, elaborar regras, levantar hipóteses e manifestar seus sentimentos. É através da imaginação que a criança constrói e representa a sua realidade, manifestando seus pensamentos, inquietações e descobertas.

É também pelo ato de imaginar que a criança dá vida aos objetos que estão à sua volta, pois para a criança qualquer objeto pode virar um brinquedo, criando e recriando a brincadeira de acordo com as suas necessidades e expectativas, transformando o real em imaginário. Para Kishimoto (1999, p.18):

Admite-se que o brinquedo represente certas realidades. Uma representação é algo presente no lugar de algo. Representar é corresponder a alguma coisa e permitir sua evocação, mesmo em sua ausência. O brinquedo coloca a criança na presença de reproduções: tudo o que existe no cotidiano, a natureza e as construções humanas. Pode-se dizer que um dos objetivos do brinquedo é dar à criança um substituto dos objetos reais, para que possa manipulá-los.


Para a criança, a brincadeira é somente um momento para extravasar suas energias, criando e recriando os espaços e materiais que serão capazes de expor suas vontades e sua imaginação, não percebendo, portanto, a seriedade existente no ato de brincar. Porém, essa atividade vai muito além do que uma simples manifestação de desejos, pois a brincadeira possibilita que a criança explore o que está a sua volta, construindo conceitos nas diversas áreas do conhecimento.



REFERÊNCIAS


FANTIN, Mônica. No mundo da brincadeira: jogo, brinquedo e cultura na educação infantil. Florianópolis: Cidade Futura, 2000.

GOULART, Maria Inês Mafra. A criança e a construção do conhecimento. In: Desenvolvimento e Aprendizagem. Belo Horizonte. Editora UFMG; Proex – UFMG, 2002.

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 3ª edição. São Paulo: Cortez, 1999.

http://grupoadventury.br.tripod.com/Materiais/Brincadeiras/Estoure_o_Balao.htm, acessado em 20 de Março de 2010 às 21hs e 52 minutos.

www.cdof.com.br, acessado em 20 de março de 2010 às 22hs.